
Gestores: Claudiomir, olhando para o cenário atual da Mhnet, como você enxerga a evolução do setor de telecomunicações e quais movimentos mais devem impactar o mercado em 2026?
Claudiomir: A Mhnet atua como um grande provedor de soluções de tecnologia, com forte presença em fibra (FTTH/FTTx), foco em experiência do cliente e crescimento via expansão geográfica e portfólio digital. Este posicionamento, nos fortalece no cenário nacional, pois favorece quem combina eficiência operacional, identidade regional forte e capacidade de monetizar além do acesso residencial, especialmente no B2B (PMEs, varejo, indústria, saúde, educação e agronegócio), com pequenos ISPs e em soluções gerenciadas. O segmento de ISPs entra em 2026 em ritmo acelerado de evolução, pressionado por competição intensa, avanços tecnológicos (especialmente 5G) e exigências crescentes de eficiência operacional e sustentabilidade.
Nesse cenário extremamente competitivo, os principais impactos que devem nos direcionar no próximo ano, e que já foram atuantes neste, são as expansões da tecnologia 5G, agora com o avanço para as pequenas cidades. Uma agenda tecnológica, com destaque para integração de redes, automatização, uso de dados, integração de IA e sustentabilidade, com foco em reduzir custos de operação sem comprometer a qualidade de serviço. Demanda por profissionais qualificados, com ênfase em competências de automação de redes, análise de dados, segurança e sustentabilidade serão a tônica crescente nesse mercado, pois esse gap força as empresas a investir em requalificação e atração de novos perfis.
Gestores: O ano de 2026 promete ser ainda mais competitivo. Quais você acredita que serão os maiores desafios para os ISPs se manterem relevantes e sustentáveis nesse ambiente?
Claudiomir: Para o próximo ano, em uma visão ampla, os ISPs enfrentarão um cenário marcado pela necessidade de evolução tecnológica constante, aliás, será a continuidade do cenário atual. A expansão do 5G e o avanço de soluções de redes que entreguem mais estabilidade e segurança ao cliente, exigirão investimentos seletivos e inteligentes, já que a competição não estará apenas na velocidade de conexão, mas na qualidade da experiência entregue ao cliente. A automação de redes, diagnósticos em tempo real e serviços digitais integrados (como segurança, Wi‑Fi gerenciado e soluções de nuvem) serão diferenciais críticos para sustentar margens e fidelizar usuários em um mercado cada vez mais saturado.
No mercado B2B de telecom, 2026 será marcado pela necessidade de infraestruturas mais inteligentes e resilientes. As empresas não buscarão apenas conectividade, a exemplo do que já ocorre nos últimos anos, mas soluções completas que integrem segurança, baixa latência e disponibilidade garantida. A evolução tecnológica das redes, será acompanhada pela incorporação de plataformas de automação e inteligência artificial capazes de prever falhas, otimizar tráfego e oferecer relatórios em tempo real. Para os ISPs, isso significa investir em arquitetura de rede orientada a dados e em rastreabilidade avançada, transformando a conectividade em um serviço estratégico para operações corporativas críticas.
Do ponto de vista de produtos e soluções, o B2B exigirá ofertas além do acesso tradicional. Serviços gerenciados como SD‑WAN, Cloud, Wi‑Fi corporativo, telefonia em nuvem, colaboração digital e IoT industrial ganharão mais protagonismo. A inteligência artificial será incorporada a esses produtos para oferecer insights de uso, segurança adaptativa e otimização de performance, elevando o valor agregado e permitindo contratos de longo prazo com margens superiores. ISPs que conseguirem estruturar portfólios consultivos, com multiprodutos e serviços ajustados por vertical (saúde, varejo, agro, indústria, educação, serviço público), terão vantagem competitiva ao entregar soluções sob medida e com ROI claro para seus clientes.
O terceiro eixo crítico será a formação e retenção de profissionais especializados. A escassez de talentos em cibersegurança, automação de redes e análise de dados, torna-se um gargalo, cada vez maior para a expansão corporativa dos ISPs em 2026. Com isso, necessitarão investir em capacitação dos seus times atuais, buscando parcerias educacionais para esse preparo. Captar especialistas em IA e equipes focadas na experiência do cliente. Assim, a combinação de infraestrutura avançada, portfólio inteligente e equipes qualificadas será o diferencial para que ISPs se mantenham relevantes e sustentáveis no ambiente B2B.
Gestores: A Mhnet é reconhecida pela excelência operacional. Quais diferenciais de qualidade você considera essenciais para que uma operadora se destaque no próximo ciclo do mercado?
Claudiomir: Acredito que os ISPs que visam se destacar neste novo cenário, devem ter como essencial a oferta de soluções completas aos clientes, indo além da conectividade tradicional e entregando pacotes integrados. Essa visão precisa estar sustentada por um backbone com alta capacidade e segurança, capaz de garantir baixa latência, disponibilidade contínua e proteção contra ameaças cibernéticas. A excelência operacional estará diretamente ligada à confiabilidade da infraestrutura e à capacidade de transformar a experiência do cliente em um diferencial competitivo.
Outro pilar indispensável será o conhecimento e preparo dos times, que devem estar capacitados em novas tecnologias, inteligência artificial e soluções corporativas, atuando de forma consultiva e estratégica junto aos clientes. Somado a isso, a disponibilidade financeira para investimento e expansão, permitirá que o ISP mantenha ritmo de modernização, ampliando cobertura, atualizando backbone e explorando novas oportunidades de mercado. A combinação de equipes qualificadas e recursos financeiros sólidos garantirá não apenas a sustentabilidade, mas também a capacidade de inovar e liderar nesse ambiente.
Gestores: Com tantas mudanças tecnológicas e a pressão por eficiência, como a Mhnet está se preparando em termos de inovação e gestão para enfrentar 2026?
Claudiomir: Posso afirmar que a Mhnet está em plena evolução, de olho nesse cenário desafiador. Para isso, desenvolvemos um Plano Estratégico, desenhado para o próximo triênio, que vai até 2028, no qual, há o direcionamento de investimentos em sistemas mais robustos e interligados, garantindo maior eficiência e confiabilidade em nossas operações. A inteligência artificial passa a ser integrada como ferramenta essencial, ampliando nossa capacidade de análise e automação. Seguimos com a modernização contínua do backbone, assegurando desempenho superior e escalabilidade para atender às demandas crescentes do mercado, enfatizando um de nossos principais pilares que é a melhoria constante da experiência do cliente. E, acima de tudo, mantemos uma visão voltada às pessoas, com investimentos em desenvolvimento profissional de nossos colaboradores, pois acreditamos que tecnologia só se sustenta quando apoiada por equipes preparadas e engajadas.
Gestores: Na sua visão, quais oportunidades os provedores podem aproveitar no próximo ano para elevar o padrão de entrega e fortalecer a relação com os clientes?
Claudiomir: Em 2026, os ISPs que conseguirem automatizar operações, ou seja, eficiência interna e externa na execução, integrar IA, que é a inteligência aplicada e compartilhada para usuário e sistema, garantir segurança digital ou proteção avançada e disponível, modernizar infraestrutura, ampliando redes e dando mais robustez, além de entregar previsibilidade ao cliente, tornando a experiência mais confiável e simplificada, estarão mais preparados para se manter relevantes e sustentáveis em um mercado altamente competitivo, não é pouco, mas sem essa evolução, deixa de ser representativo para o cliente.
Como em todos os anos, os desafios são enormes, mas acredito muito que, o compartilhamento de experiências, ou seja, conhecer outras operações, realizar esse intercâmbio corporativo, irá ampliar a possibilidade de sucesso, não só para 2026, mas para o futuro do negócio.