SecurityOne, plataforma de cibersegurança com inteligência artificial criada pela Hackone, entra em fase de expansão comercial em meio ao maior ciclo de investimento em segurança digital da história do país. Clientes em produção, aprovação técnica em operadora nacional e o endosso da Fortinet colocam a companhia no radar de investidores e de grandes grupos de tecnologia.
Porto Alegre / São Paulo — agosto de 2026 — Toda semana, uma empresa brasileira média sofre cerca de 3.700 tentativas de ataque cibernético. O número, apurado pela Check Point Research no início deste ano, é quase o dobro da média mundial e cresceu 37% em relação a 2025. Somente no primeiro semestre, o país registrou 99 ataques de ransomware bem-sucedidos — 67% de todo o volume do ano passado, em metade do tempo. Cada incidente concretizado custa, em média, R$ 7,19 milhões, segundo a consultoria Peers. Nenhum outro país da América Latina lidera esse ranking com folga como o Brasil.
É nesse pano de fundo — de uma economia que digitaliza operações mais rápido do que consegue defendê-las — que a SecurityOne, plataforma de cibersegurança com inteligência artificial desenvolvida pela Hackone, começa a se firmar como um dos ativos mais promissores do setor no país. A tecnologia unifica em um único ambiente a operação de um centro de comando de segurança (o chamado SOC, sigla em inglês para Security Operations Center), aplica IA para triar e priorizar alertas e permite que grandes operadoras, integradoras e prestadoras de serviços gerenciados operem múltiplos clientes de forma centralizada. É a espinha dorsal daquilo que o setor tem chamado de “SOC autônomo”: a próxima geração da vigilância digital.
O maior ciclo de investimento em segurança digital da história do país
O mercado brasileiro de cibersegurança deve fechar 2026 movimentando US$ 4,05 bilhões, alta de 10% em relação a 2025, segundo estimativa da consultoria Peers em levantamento divulgado pela Broadcast/Estadão. Em cinco anos, a projeção é chegar a US$ 6,56 bilhões — uma taxa composta de crescimento anual acima de 10%, uma das mais aceleradas entre todos os segmentos de tecnologia no país. A Brasscom, associação que reúne as principais empresas de tecnologia da informação do Brasil, é ainda mais ambiciosa: estima que o setor de segurança da informação movimente R$ 104,6 bilhões entre 2025 e 2028, com crescimento acumulado de quase 44% no período.
O motor dessa expansão é conhecido. A adoção massiva do Pix — hoje com mais de 3 bilhões de transações por mês —, o avanço acelerado do open finance, o cumprimento cada vez mais rígido da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a migração de operações críticas para a nuvem ampliaram a superfície de ataque das empresas brasileiras a um nível sem precedentes. Ao mesmo tempo, a inteligência artificial generativa, que impulsiona ganhos legítimos de produtividade nas corporações, virou também o brinquedo favorito do cibercrime organizado: golpes de phishing personalizados, malware que aprende sozinho e o modelo de “ransomware como serviço” — em que criminosos alugam kits prontos de sequestro digital — democratizaram a capacidade de atacar.
O resultado é um paradoxo que executivos de segurança conhecem bem: nunca se investiu tanto em ferramentas, e nunca as empresas se sentiram tão vulneráveis. Uma pesquisa da ESET aponta que 29% das companhias brasileiras já sofreram pelo menos um ataque de ransomware, enquanto 73% ainda não têm qualquer tipo de seguro cibernético. O IDC estima que faltam cerca de 140 mil profissionais qualificados no país. A Fortinet, em levantamento próprio, elevou esse número para 750 mil vagas em aberto. Números diferentes, mesmo diagnóstico: o Brasil não tem gente suficiente para operar a segurança que precisa comprar.
É esse desencontro — muitos alertas, poucas mãos — que criou o espaço para uma nova categoria de produto. Em vez de contratar mais analistas, as empresas passaram a demandar plataformas que fizessem parte do trabalho sozinhas: correlacionando dados de dezenas de fontes, atribuindo risco a cada alerta, respondendo automaticamente a incidentes mais simples e deixando o cérebro humano para o que realmente importa. Segundo o Gartner, os gastos globais em cibersegurança devem cruzar a marca de US$ 200 bilhões ainda em 2026, com software respondendo pela primeira vez pela maior fatia — à frente de hardware e serviços terceirizados somados.
A aposta da Hackone: uma “camada inteligente” nacional
É nessa fronteira que a SecurityOne foi desenhada. Em vez de tentar substituir as ferramentas de segurança que os clientes já usam — os chamados SIEM (que coletam logs), SOAR (que automatizam respostas), EDR/XDR (que protegem endpoints), firewalls e sistemas de nuvem —, a plataforma se posiciona como uma camada acima delas. Coleta o que cada uma produz, normaliza os dados, aplica um motor de inteligência artificial para correlacionar sinais e devolve ao analista uma visão única, priorizada por risco e com contexto suficiente para agir em minutos, e não em horas.
A arquitetura foi pensada especialmente para dois tipos de operação. Clientes finais de médio e grande porte, que precisam de uma sala de comando própria e não têm equipe para montar. E provedores de serviços gerenciados de segurança — os MSSPs, integradores e operadoras de telecom que atendem centenas ou milhares de empresas ao mesmo tempo e precisam de uma tecnologia capaz de operar em modelo “multi-tenant” (com clientes separados na mesma plataforma). É esse segundo público que dá à SecurityOne o potencial de escalar como poucas soluções brasileiras conseguiram no setor.
“A SecurityOne nasceu para preencher um vazio que o mercado brasileiro tinha há anos”, diz Lucas Palma, fundador e CEO da Hackone, uma das principais autoridades em cibersegurança do país. “Não estamos entregando mais uma ferramenta. Estamos entregando a camada inteligente que faltava sobre o ecossistema de segurança que as empresas já compraram. Nossa tese é simples: SOC autônomo, com IA de verdade, desenhado para a economia dos MSSPs, das operadoras e dos integradores. É esse mercado que vai definir a cibersegurança da próxima década.”
Palma construiu a Hackone ao longo da última década como um dos maiores ecossistemas de formação de especialistas em infraestrutura de TI do Brasil, com dezenas de milhares de alunos formados em redes, cloud e segurança da informação. Foi essa base, formada por profissionais que respiram o dia a dia da operação, que sustentou a tese da SecurityOne — e é ela que garante à plataforma um exército de talentos qualificados prontos para operá-la em campo, algo que companhias internacionais concorrentes não conseguem replicar no país.
Tração fora da curva em menos de 12 meses
O que torna o caso da SecurityOne particularmente incomum é a velocidade com que a tese saiu do papel. Em menos de um ano de operação comercial estruturada, a plataforma acumulou 47 canais e parceiros ativos, 1.500 profissionais treinados oficialmente na tecnologia, clientes em produção gerando receita recorrente e — talvez o marco mais decisivo — aprovação técnica formal em uma das principais operadoras de telecomunicações do país.
O evento de lançamento, realizado em São Paulo, funcionou como uma declaração pública dessa validação. Sentaram-se à mesa, ao lado de Lucas Palma, o presidente da Fortinet no Brasil e o vice-presidente de engenharia da companhia — a fabricante americana que domina o mercado brasileiro de firewalls e figura entre as maiores empresas de cibersegurança do mundo. Estavam na plateia 150 executivos decisores de 70 empresas. Nas semanas seguintes, 30 novas frentes de parceria comercial foram abertas. Numa indústria em que fabricantes globais raramente se associam publicamente a plataformas nacionais recém-lançadas, o gesto foi lido pelo mercado como um selo de qualidade técnica difícil de replicar.
O pipeline aberto pela plataforma também chama atenção. Só na frente da Claro, apenas uma das operadoras em conversa avançada, a SecurityOne mira uma base de aproximadamente 7.000 clientes de pequeno e médio porte, com meta de penetração de 30%. Traduzido em receita, esse contrato isolado tem potencial para gerar mais de R$ 1,5 milhão de receita recorrente mensal — o suficiente para colocar a operação em uma categoria de MRR raramente alcançada por SaaS brasileiras de infraestrutura em estágio equivalente. Frentes similares estão em construção com Vivo, Algar e Vital, além de conversas iniciais com integradores globais como Logicalis, Axians e NTT.
Os principais indicadores acumulados até aqui:
- 47 canais e parceiros ativos, entre MSSPs, distribuidores, revendas e integradores
- 1.500 profissionais certificados no treinamento oficial da tecnologia
- Clientes ativos em produção, gerando receita recorrente
- Aprovação técnica em operadora nacional de grande porte
- Aberturas comerciais com Claro, Vivo, Vital e contas enterprise
- Endosso técnico da Fortinet no evento de lançamento
- Pipeline potencial estimado em >R$ 1,5 milhão de MRR apenas na frente Claro
Uma corrida por capital que está apenas começando
O momento em que a SecurityOne ganha tração coincide com o que executivos do setor apontam como o maior ciclo de consolidação e capitalização da história recente da cibersegurança brasileira. Aquisições, rodadas de investimento e fusões vêm se acumulando em ritmo crescente, à medida que fundos globais e grupos estratégicos identificam no país uma combinação rara: mercado grande, poucas alternativas nacionais maduras e demanda estrutural crescendo em ritmo de dois dígitos por ano. Nos Estados Unidos e em Israel — os dois principais polos globais de cybersecurity —, plataformas com o perfil da SecurityOne têm sido negociadas a múltiplos de receita bem acima da média histórica de SaaS empresarial, refletindo justamente essa escassez de ativos de qualidade em uma janela de mercado com prazo curto.
No Brasil, o movimento começa a se repetir. Nos últimos meses, empresas nacionais de cibersegurança anunciaram rodadas de captação, projeções de crescimento acima de 60% ao ano e planos ambiciosos de expansão regional. A Every Cybersecurity, por exemplo, projeta saltar de R$ 150 milhões em 2026 para R$ 250 milhões em 2027 apoiada na demanda impulsionada pela LGPD. É nesse tabuleiro que a estruturação financeira da SecurityOne passou a ser conduzida pela Vispe Capital, boutique de M&A e CFO como serviço com mais de 90 transações concluídas.
“É raro encontrar um ativo com esse nível de maturidade tecnológica, ecossistema montado e janela de mercado aberta ao mesmo tempo”, afirma Pablo Bonatti, CEO da Vispe Capital e ele próprio ex-fundador de uma empresa de tecnologia que passou por processo de venda estratégica anos atrás. “Vim desse mundo, vivi um exit, e sinceramente não vi nada parecido no Brasil nos últimos anos. Nosso papel agora é garantir que essa janela seja aproveitada da forma correta — com a estrutura financeira, os parceiros certos e o timing exato. As conversas estão avançadas.”
A leitura da Vispe é que os próximos 24 meses concentrarão o grosso dos movimentos de fusões, aquisições e captações no setor de cibersegurança nacional. Ativos com tração já validada e ecossistema comercial montado, segundo a boutique, tendem a comandar múltiplos assimétricos em relação a companhias em fase de tese — uma dinâmica clássica em janelas curtas de mercado, quando o capital busca poucos vencedores prováveis em vez de muitas apostas iniciais. “O mercado brasileiro de cibersegurança está entrando na fase em que se separa quem escala de quem fica para trás”, diz Bonatti. “É agora que essas decisões estão sendo tomadas.”
O que vem pela frente
Para os próximos meses, a agenda da SecurityOne inclui o fechamento das primeiras contratações estruturantes nas operadoras em conversa avançada, a expansão do programa de canais para além dos 47 parceiros atuais, o aprofundamento da parceria com o ecossistema Fortinet e o lançamento de novos módulos da plataforma — entre eles evoluções no catálogo de serviços, no motor de correlação por IA e nas capacidades de operação em modelo “white label”, em que grandes integradores levam a tecnologia ao mercado sob suas próprias marcas.
Do lado do mercado, o ambiente favorece a jogada. Analistas locais e globais são unânimes ao apontar que a cibersegurança sairá dos próximos cinco anos como um dos três setores mais transformados pela inteligência artificial — e um dos poucos em que a IA cria valor real para o cliente final em escala mensurável, e não apenas em promessa de produtividade. Para a SecurityOne, o desafio deixou de ser convencer o mercado de que a categoria existe. Passou a ser executar mais rápido do que qualquer concorrente antes que a janela se feche.
Sobre a SecurityOne
A SecurityOne é uma plataforma AI-Driven de cibersegurança para operações de Next Generation SOC (NG-SOC). Unifica visibilidade, correlação de eventos, gestão de risco, resposta a incidentes, relatórios técnicos e executivos e operação multi-tenant em uma única solução. É desenhada para clientes finais, MSSPs, integradores e operadoras, com suporte a integrações abertas (SIEM, SOAR, EDR/XDR, DFIR/ITSM, firewalls, cloud e IAM) e motor de inteligência artificial nativa, com opção de “Bring Your Own AI” para clientes que já possuem modelos próprios. Mais informações em securityone.ai.
Sobre a Hackone
A Hackone é um dos maiores ecossistemas nacionais de infraestrutura em tecnologia da informação, com atuação em três frentes: educação (formação de especialistas em redes, cibersegurança e cloud, do nível básico ao sênior), tecnologia (SecurityOne) e editora. É referência nacional na formação de profissionais e conta com um corpo de especialistas reconhecido no mercado. Mais informações em hackone.com.br.
Sobre a Vispe Capital
A Vispe Capital é uma boutique brasileira especializada em M&A, captação de investimento e CFO como serviço, com mais de 90 transações concluídas e equipe dedicada à estruturação financeira, jurídica e estratégica de negócios em fase de escala. Atua na condução das negociações estratégicas da SecurityOne.
Contato para imprensa e para investidores interessados em conhecer a operação:
Vispe Capital — assessoria de M&A e captação da SecurityOne
[contato via canais oficiais da Vispe]Nota ao editor: dados de mercado citados neste comunicado provenientes de Check Point Research, Peers Consulting + Technology, Brasscom, IDC, Fortinet, ESET e Gartner, com base em levantamentos publicados entre 2025 e 2026
